quarta-feira, junho 27, 2007

Precisamos desmamar!

Quando crianças, aprendemos na escola que mamíferos são seres vertebrados que mamam quando recém-nascidos. Acontece que o brasileiro forma um tipo especial de mamífero, que nunca deixa de mamar. Ele apenas troca as tetas maternas pelas tetas estatais!
Como nosso Estado é um monstro de mil tetas, todo mundo quer uma boquinha. É o empresário que molha a mão de algum servidor público desonesto para fraudar uma licitação, ou o sujeito de classe média tenta obter um carguinho de aspone (assessor de p... nenhuma), através de um Q.I. (Quem Indica), e ganhar uma salário totalmente fora da realidade pra não fazer quase nada. É o pobre que em vez de lutar para melhorar na vida, se contenta com uma migalha estatal. São os militantes estudantis que brigam por mais privilégios, como meia-entrada, ônibus de graça, e esquecem que alguém vai ter que pagar a conta, inclusive eles mesmo, no futuro, pois não serão estudantes a vida inteiras. São os ativistas gays, negros e feministas, que se pousam de coitadinhos e aliados a partidos de esquerda, arrancam leis que os tornam mais iguais que os outros e ferem frontalmente o princípio de igualdade jurídica, tudo para proteger os 'pobres coitados'. É o artista que se encosta numa empresa estatal para obter gordos patrocínios para espetáculos que muitas vezes, ninguém quer assistir de tão ruins.
Urge mudar a mentalidade do povo brasileiro, a fim de que ele pare de enxergar no Estado a solução de todos os seus problemas. Precisamentos combater o gigantismo estatal que asfixia nossa economia e inibe o empreendedorismo.
Termino este artigo com uma frase do genial economista Roberto Campos, que disse certa vez: "O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele pode nos dar é sempre menos do que pode nos tirar". Reflitam isso com carinho!

Não estamos no fundo do poço! (Ainda)

Hoje em dia, quem diz que estamos no fundo do poço está sendo otimista, porque alguns acontecimentos recentes mostram que sempre é possível piorar mais um pouco! Vejamos:
Terça-feira, 19 de junho de 2007. Neste dia um aluno da Escola Estadual Darcy Pacheco aqui na cidade onde eu vivo, São José do Rio Preto, SP, ateou fogo no cabelo da professora Iramar Araújo, com um isqueiro. Sob os risos da classe inteira, apenas duas alunas socorreram a professora. E qual a punição para o garoto incendiário? Nenhuma! A Secretaria de Educação informou que não irá punir o garoto porque entende que o delito não foi grave(?) ! Como não é grave, um ato que poderia ter conseqüências muito mais sérias, não fosse pela intervenção das alunas que socorreram a docente, que foi humilhada três vezes: pelo aluno incendiário, pela classe que a ridicularizou, e pela Secretaria de Ensino, que frustrou seu desejo de ver o agressor punido! Nenhuma medida foi tomada para protegê-la, nem pela direção da escola nem pela Secretaria. Além disso, nada foi feito para proteger a aluna que testemunhou contra o garoto. Ela não tem comparecido às aulas por medo de represálias dos amigos do agressor.
Ainda na semana passada, depois de 50 dias, os estudantes baderneiros que invadiram o prédio da reitoria da USP, finalmente desocuparam o recinto, após a promessa de que não sofreriam punição. Como se também fosse a coisa mais natural do mundo impedir atividades normais de uma universidade sustentada por nós, contribuintes, e fazer chantagem para que esta não preste contas de seus gastos, e para pedir mais privilégios, como se já não fosse uma baita de uma mordomia estudar de graça numa das melhores instituições de ensino superior do Brasil, sendo que a maioria deles precisou pagar um bom cursinho ou uma boa escola particular no Ensino Médio para poder ingressar na referida universidade.
Sem falar nos políticos, que costumam aprontar todas, mas no final tudo termina em pizza. Enquanto isso, assistimos uma degradação moral de nossa sociedade que culmina em pais que não sabem educar, filhos sem limites, a cultura do jeitinho, a lei do menor esforço, a permissividade diante de desvios de conduta.
Onde vamos parar?

sábado, junho 16, 2007

Mais um teatrinho em Brasília

Mais uma vez assistimos a um deprimente espetáculo teatral em Brasília, em torno das denúncias de que o presidente do senado Renan Calheiros teria contas particulares pagas por um lobista da empreiteira Mendes Junior. A Comissão de Ética do Senado faz todo aquele circo, com discursos, relatórios, inquéritos, interrogatórios, para no fim não dar em nada. Ou alguém ainda acredita que o ilustre presidente da casa sofrerá algum tipo de sanção? Em Brasília não se pune ninguém. Deputados e senadores podem fazer o que quiser, que se forem pegos, seus colegas o absolvem!

O brasileiro e a liberdade de opinião

Recentemente houve dois episódios que mostra o quanto estamos longe de ser uma nação democrática com livre expressão de idéias e opiniões.

O primeiro é de uma ação na justiça entrada pelo fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, conhecido também como o “pedágio do céu”. Devido a esta ação, a Google Brasil foi condenada a retirar do ar tais comunidades e ainda por cima a fornecer a identificação dos internautas que xingaram o bispo, a fim de poder serem processados individualmente. Pelo jeito, segundo nossos brilhantes juízes, só poderemos manifestar opiniões a favor! Fico pensando se cada pessoa pública resolvesse entar com uma ação na justiça por causa de críticas recebidas no Orkut. Nossa justiça, que já é terrivelmente lenta, ficaria emperrada por tempo. Quanto aos ofendidinhos, tenho uma receita infalível para não receber críticas: desapareçam dos holofotes e se isolem no meio da floresta Amazônica, ou de qualquer outro lugar isolado. Desse jeito vocês voltam para o anonimato, mas também não recebem mais críticas, não é maravilhoso?

O segundo episódio a ser comentado é a respeito de um bem-humorado comercial de um modelo de carro da Peugeot que mostra um casal se esforçando para vencer uma ladeira íngreme a bordo de um automóvel pouco possante. Como o desgraçado do veiculo teimava em não subir, o jeito foi se livrar de todos os pertences do casal a fim de aliviar o seu peso. E foram embora, livros, violão, bolsa, frutas, e no final o motorista cogita em defenestrar a própria sogra! Pois dá para acreditar que o comercial foi alvo de reclamações de telespectadores e sua veiculação foi suspensa pelo CONAR? Quando é sabido que a figura da sogra é uma verdadeira instituição nacional, presença marcante no anedotário brasileiro! O que me leva a concluir duas coisas, que primeiro, o brasileiro não tem mais senso de humor, e segundo, que este não tem tradição democrática. Brasileiro, só defende liberdade de expressão, quando seu conteúdo lhe agrada! Não se poderia, simplesmente, desligar a TV, ou mudar de canal quando passar algo que não lhe agrada. Por que cercear o direito de outrem expressar suas idéias, só por que não gostamos daquilo que ele diz?

Temo estar entrando novamente no obscurantismo medieval. Do jeito que a coisa anda, não podemos duvidar de que isto pode acontecer!

segunda-feira, maio 21, 2007

O Perigo da divisão racial!

Alerta laranja! Já não basta a nossa guerra urbana, que ceifa anualmente quase 50 mil vidas, corremos o risco de ter outra guerra civil, desta vez, de negros enfrentando brancos. Tudo isso, graças às estúpidas políticas raciais em implantação no Brasil, que pretensamente, querem reduzir as diferenças sócio-econômicas entre raças, mas que se forem adiante, apenas irá criar um ambiente de ressentimento e ódio entre brancos e negros. Tais políticas ignoram completamente que o Brasil é um país de mestiços e forjam uma cultura racista que aqui nunca existiu. Não estou negando que existe racismo, mas sim, quero dizer que este é fruto de ações individuais, não um traço marcante de nossa identidade. Fosse assim, não haveria miscigenação por estas terras. Nos EUA, p. ex, até meados do século passado havia escolas para brancos e escolas para negros. Em algumas estações de trem havia salas para brancos e salas para negros. Nunca houve nada parecido com isso na terra brasilis!
Uma amostra de como os ânimos estão se acirrando, pode ser vista em uma reportagem da revista VEJA [1], cujo conteúdo revela que autores de um livro que questiona a eficiência das medidas que visam a promover a tal "igualdade racial", tais como, cotas para negros em universidades, estão sofrendo ameaças de militantes do movimento negro. Bastou ser divulgada a notícia do lançamento do livro para surgirem textos na internet que incitam os militantes a usarem até mesmo de violência física contra os organizadores do evento.
Ainda não esgotei o assunto e pretendo falar mais disso em posts futuros, mas quero manisfestar minha preocupação com a radicalização do discurso da militância negra, e também minha indignação com este governo, que de certa forma, incentiva a intolerância, haja visto as palavras da ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que disse certa vez que "não é racismo um negro se insurgir contra um branco"! Neste ambiente de animosidade, todos perdem, sem distinção de raça!

1. Assinantes da revista podem ler a reportagem aqui . Quem não é assinante pode conferir a reportagem neste outro endereço aqui

sábado, maio 12, 2007

O Aprendiz

Não costumo comentar sobre programas de TV, mas vou abrir uma exceção hoje por causa do programa o Aprendiz 4 da Record, que estreou nesta terça-feira (08/05). Mais precisamente, vou falar do programa de estréia, na qual o participante Ricardo de Souza Pereira, professor universitário, foi eliminado.
Lamentei a "demissão" do "Professor" - como Ricardo ficou conhecido no programa - e creio eu que até o Roberto Justus também deve ter lamentado, pois sem dúvida nenhuma, tinha o melhor projeto, que consistia no desenvolvimento de medicamentos naturais para tratamento de problemas como úlcera, gastrite e refluxo.
O "Professor" caiu devido a sua dificuldade de adaptação ao ritmo acelerado da execução das tarefas do programa, e principalmente pela sua dificuldade de relacionamento com os colegas de equipe. Durante o processo de eliminação, na sala de reunião com Roberto Justus, ele se mostrou pouco objetivo em sua defesa, já que todos estavam contra ele, e preferiu dizer que os seus colegas estavam com inveja dele. Não restou ao apresentador, demití-lo do sonho de ser seu sócio do projeto.
Professor Ricardo, que este episódio, sirva de lição para você melhorar seu relacionamento interpessoal, pois isto é algo muito importante na carreira de qualquer pessoa (este programa deixou isto bem claro), e tomara que seu projeto siga em frente!

quarta-feira, maio 02, 2007

Um pouquinho de bom senso!

No meio de tanta notícia ruim, é com satisfação que vejo que o dia 11 de maio não será mais feriado. A proposta de se criar um feriado nesta data em homenagem à Frei Galvão foi rejeitada pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.
Muito ridícula esta idéia de se criar um feriado para homenagear um santo brasileiro. Fico imaginando se a Itália adotasse feriado para cada santo nascido naquele país. Restariam poucos dias úteis!

Coração de mãe

O que o poder é capaz de fazer com as pessoas! É com muito pesar que leio a notícia de que Roberto Mangabeira Unger, professor titular de Direito em Harvard aceitou o convite de Lula para assumir o cargo de direção da Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo, com status de ministro. O mesmo Mangabeira que em novembro de 2005, escreveu uma coluna na Folha de São Paulo afirmando categoricamente que o governo Lula é o mais corrupto da história nacional! Alguém aí tem um Engov?
Ademais, para que mais uma secretaria com status de ministério? Pelo andar da carruagem, o Supremo Apedeuta vai cumprir a promessa de gerar 8 milhões de empregos - inchando a máquina estatal, que neste governo está parecendo coração de mãe: sempre cabe mais um! No final, quem paga a conta é o trouxa do contribuinte brasileiro.

quarta-feira, abril 25, 2007

Direita volver!

Abril de 2007, pouco mais de três meses e meio de segundo mandato do presidente Lula, e, como diria o filósofo Olavo de Carvalho, "sem novidades, exceto as piores"[1]. De janeiro para cá, tivemos apagão aéreo, uma ficção chamada PAC, uma declaração de ministra dizendo que não é racismo se insurgir contra brancos, o assassinato bárbaro do garoto João Hélio no Rio e a total falta de vontade por parte de nossas autoridades de mudar a legislação penal, a demorada reforma ministerial do governo, que no fim, trocou seis por meia dúzia e jogou para 2011 nossas esperanças de ver uma diminuição do leviatã estatal - pelo contrário, foram criados mais cargos para os novos "cumpanheiros" - e tantas outras aberrações, que se eu fosse listar todas aqui, ocuparia tanto espaço que leitor nenhum se disporia a chegar até o final do texto.
O que eu penso a respeito disso tudo: que está na hora de colocar a direita no poder. Duas décadas de domínio esquerdista fizeram muito estrago no País. Primeiro fizeram uma Constituição com um modelo de bem-estar social insustentável que impede o crescimento econômico. Também criaram uma legislação penal extremamente frouxa que transforma os criminosos em vítimas e as vítimas em culpados. Conseguiram jogar pobres contra ricos e agora querem jogar negros contra brancos, criando um Brasil opressor e racista, que só existe na mentalidade estúpida e doentia desses pseudo-intelectuais socialistas que infestam nossas universidades e nosso aparato estatal.
Mas que direita? Não temos sequer uma direita decente no Brasil, pois esta também aderiu ao fisiologismo mais escancarado [2] . Se antes tinhamos nomes como Carlos Lacerda e Roberto Campos, hoje em dia, um membro do DEM (antigo PFL) disse durante a primeira onda de atentados do PCC, que isso era culpa de "uma elite branca e má"! Esse discurso serviria muito bem para o PSTU, não para um partido teoricamente de direita.
Precisamos de políticos com fibra para privatizar esses antros de roubalheira, como a Petrobrás, os Correios, a Caixa e o Banco do Brasil. Gente com pulso para peitar os sindicatos e flexibilizar nossas arcaicas leis trabalhistas. Alguém para pôr fim a essa farra de indenizações a ex-guerrilheiros e militantes comunistas. Alguém para acabar com a estabilidade de funcionários públicos e com os privilégios insustentáveis de juízes, deputados e senadores.
Senão, nas próximas eleições novamente vamos ter que escolher entre o ruim e o menos ruim!

1. O filósofo e ensaísta Olavo de Carvalho escreveu, logo após a reeleição do presidente Lula um artigo chamado "Sem novidades, exceto as piores", fazendo uma previsão de como seria o 2º mandato do atual presidente. Infelizmente, tais previsões estão se confirmando.
2. O mesmo autor escreveu um dos mais elucidantes artigos a respeito da atual situação da direita no Brasil. O artigo, intitulado "Direita a serviço da esquerda", pode ser lido aqui.

segunda-feira, abril 23, 2007

Estou voltando!

Olá a todos! Depois de 2 meses e meio totalmente parado, resolvi voltar a escrever. Por que? Primeiro, porque sinto uma necessidade enorme de dar vazão a meus pensamentos e opiniões. Segundo, por que diante de tanta coisa que tem acontecido neste País, de tantos desvairios cometidos por essa turma do PT que está no poder, é impossível ficar calado.
Sinto que devo fazer alguma coisa para combater o parasitismo estatal e o esquerdismo, que tanto fazem mal para nosso povo. Poderia muito bem juntar um dinheiro e arrumar as malas para um lugar mais decente, tipo EUA, Canadá e Austrália - qto à Europa, eu temo por um futuro sombrio, devido ao avanço do radicalismo islâmico - daí pensaria "dane-se este País de terceiro mundo e seus políticos vagabundos, seu povo ignorante e seus inúmeros problemas". Mas eu nasci aqui, estou preso a esta terra e gostaria de vê-la progredir.
Por isso estou de volta. A partir de agora pretendo escrever regularmente e não vou me preocupar tanto com o número de leitores deste blog. Se teve público, maravilha, senão, terei pelo menos exposto meus pontos-de-vista.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Aviso!

Comunico que, por absoluta falta de audiência, estou suspendendo por tempo indeterminado as atividades neste blog. Não me sinto mais motivado a escrever para ninguém. Não vale a pena gastar tempo e energia numa atividade que não está tendo o retorno desejado. Talvez tenha falhado em divulgar meu blog, ou então se mostrou pouco interessante. Talvez mude de idéia mais para frente, mas por enquanto não tenho mais vontade de escrever.
Gostaria de agradecer aos (poucos) leitores que prestigiaram este espaço durante o período em que este ficou no ar e também pedir desculpas por deixá-los na mão, desse jeito. Espero que compreendam meus motivos para eu fazer isso. Continuem visitando os links que estão no lado direito da página.
Obrigado!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Lá vem o PAC

Lá vou eu de novo dar meus pitacos neste humilde blog. O assunto não poderia ser outro, a não ser o famigerado PAC (Plano de Aceleração Econômica) anunciado pelo nosso presidente na segunda-feira (22/01).
Não entendo muito de economia, mas sinceramente, estou cético em relação a este PAC, pois não ataca o principal obstáculo ao crescimento econômico, que é a hipertrofia do Estado brasileiro. Qual a contribuição deste plano para reduzir o tamanho deste mamute estatal que nos rouba 40% de tudo que nós produzimos? Vai reduzir a carga tributária, e acabar com esta CPMF, que é para mim o imposto mais maligno que já foi criado no Brasil e era para ser provisório? Vai combater o rombo da Previdência? Nada disso! O plano só vai beneficiar alguns poucos setores produtivos com incentivos fiscais e aumentar ainda mais a ingerência estatal na economia.

sábado, janeiro 13, 2007

Orkut e orientação política!

Finalmente, o orkut ampliou o leque de opções de resposta à pergunta 'visão política' no perfil de usuário. As alternativas existentes anteriormente (esquerda/liberal, centrista e direita/conservador) eram muito simplistas e não levavam em conta as diferentes nuances de esquerdistas, direitistas e centristas. Por exemplo, dentre as pessoas de direita, existem os conservadores (defendem economia liberal, mas rigidez nos costumes sociais) e os libertários (liberais na economia e nos costumes), assim, como os esquerdistas, que se dividem entre autoritários, e liberais, quanto ao aspecto social.

Ainda sobre a ameaça à liberdade de expressão na internet:

Não estranhem, caros leitores, se algum dia eu receber alguma notificação judicial para retirar este blog do ar, ou parte dele. Do jeito que a coisa está, até mesmo endereços pouco visitados, como este, podem ser alvo de perseguição!

"Me tira o tubo!"

Essa semana foi difícil de agüentar. Foram dois episódios que me fizeram lamentar por morar em um país que constantemente ameaça a liberdade de expressão na Internet.

O primeiro episódio foi o ridículo bloqueio imposto ao Youtube graças a uma ação movida pela apresentadora de TV e modelo Daniela Cicarelli, por causa do famoso vídeo em que ela transa com o namorado numa praia espanhola. Em vez de ir para um motel, Cicarelli, sendo uma celebridade, portanto bastante exposta na mídia, fez o que fez num local público, repleto de gente com máquinas fotográficas e filmadoras e tinha grandes chances de ser flagrada, o que de fato, aconteceu, e ainda se acha no direito de processar alguém? Quem tinha de ser processada era ela, pelo seu comportamento impróprio.

O segundo episódio foi a ordem judicial para se retirar comunidades do orkut que falavam mal do piloto Rubens Barrichello. O eterno azarão, que se sentiu ofendido com tais comunidades, entrou com uma ação e o Tribunal de Justiça de – SP enviou uma ordem para que o Orkut retirasse do ar as comunidades que o criticavam e os perfis falsos do piloto.

Ou seja, como demonstra de forma irônica e brilhante, o artigo de Sandra Carvalho, da revista Info, postado em seu blog, não poderemos mais criticar ninguém no orkut, somente elogiar. Não poderemos mais dizer o que pensamos, somente aquilo que nossos digníssimos juízes querem que a gente diga. E o livre direito de opinião, garantido em nossa Constituição, foi para o espaço.

Entramos no seleto clube de países que censuram a Internet. É muita honra estar do lado de países como China, Líbia, Cuba, Irã! Tudo isso me faz lembrar um personagem de Jô Soares, um general que depois de muito em coma numa cama de hospital acordava, e ao ser informado de situações absurdas que estavam acontecendo no país no período em que esteve inconsciente, pedia que lhe retirassem o tubo que lhe permitia sobreviver, repetindo o bordão que consta no título deste artigo. Eu diria o mesmo se estivesse em coma nesses últimos dois anos, acordasse e alguém me contasse esses dois casos que expus aqui. “Me tira o tubo!”, “Me tira o tubo!”

segunda-feira, dezembro 11, 2006

A destruição do "eu"

Todos nós temos um magnífico tesouro, chamado individualidade. Cada indivíduo é um universo ímpar, repleto de emoções, sensações, medos, virtudes e defeitos. É essa individualidade que define como nos relacionamos com o mundo exterior, seja com outras pessoas, com fatos de nossas vidas. E através dela é que podemos traçar metas e lutar para atingi-las.

Porém, desde que nascemos, somos submetidos a forças que tentam anular a nossa individualidade. Começando pelos nossos pais, que tentam nos moldar à imagem e semelhança deles mesmos. Depois vem a escola, que nos tolhe a criatividade e faz com que os alunos estudem somente para passar de ano e não para adquirir conhecimento. A sociedade também contribui para a anulação do indivíduo ao criar uma imagem distorcida do “homem de bem”, que neste caso, é tão somente aquele que segue as convenções sociais sem questionar a utilidade delas e todo aquele que não segue às suas normas é tratado com desprezo.

O pensamento esquerdista também tenta massacrar o indivíduo ao tentar torná-lo um mero agente coletivo, a serviço da luta de classes. Seus seguidores querem incutir sentimentos de culpa nas camadas mais favorecidas, por estas terem recursos e os mais pobres não, como se a economia fosse um jogo de soma zero, onde, se existe alguém pobre é porque existe alguém rico.

Por fim, a religião contribui para o aniquilamento do indivíduo, ao imbuir idéias de pecado e castigo divino. Além disso, as religiões costumam transmitir a idéia de que temos que ser abnegados, que o outro é mais importante que nós, que devemos nos sacrificar em favor do próximo. Parece até que virou pecado dizer “eu”. Não estou falando aqui para a gente fechar os olhos diante dos problemas alheios, nós podemos (e devemos) ser solidários na medida do possível, mas isto não significa, necessariamente, que temos que abandonar nossos projetos pessoais para favorecer ao outro.

Toda caridade é nobre, desde que tenhamos os nossos corações um sentimento profundo de ajudar ao próximo. Se você for impelido a ajudar ao próximo apenas por pressão de correntes religiosas ou filosóficas, ou apenas para se sentir com a consciência tranqüila, saiba que isto não é caridade, e sim, servidão. Não podemos dar aquilo que não temos. Missionários como Gandhi, Madre Teresa, Chico Xavier, ou mesmo Jesus, já tinham conquistado tudo em matéria de realização pessoal e com a sabedoria que tinham, poderiam se entregar de corpo e alma na tarefa de auxiliar os mais necessitados. A maioria de nós, ainda tem muito a aprender e muitas coisas a conquistar. Somente podemos exercer todas nossas potencialidades se tivermos a plena consciência de nossa individualidade, ou seja, saber quais são nossos pontos fortes e pontos fracos, e neutralizar as forças que tentam nos anular. E ao exercer nosso potencial por conseqüência, conseguimos oferecer ao próximo o que temos de melhor.

domingo, dezembro 10, 2006

Pobre América Latina!

Hoje vou falar sobre nosso continente, que infelizmente, está a caminho de se tornar tão irrelevante no cenário mundial quanto a África, por causa do baixo crescimento econômico, e principalmente por causa da adoção, de práticas político-econômicas já abandonadas em outras partes do mundo.
No começo da década de 90, países como Argentina, Brasil e México começaram a fazer reformas a fim de debelar inflações galopantes e permitir que estas nações ingressassem no mundo globalizado. Porém, tais reformas foram tímidas e não foram suficientes para permitir uma melhoria no padrão de vida dos seus habitantes, o que gerou um descontentamento, principalmente da camada mais pobre da população. Este cenário permitiu o aparecimento e a ascensão ao poder de políticos que se apresentaram como salvadores da pátria, prometendo acabar com as desigualdades sociais, combater o monstro do neoliberalismo e liberar o continente das garras do imperialismo ianque. Naturalmente, um discurso demagógico, que reforça um velho hábito dos latino-americanos de culparem os países ricos pelas suas mazelas.
O problema é que o discurso nacionalista-estatizante de políticos como Evo Morales, Hugo Chávez, Rafael Corrêa e Néstor Kirchner já foi abandonado no resto do mundo. Os países que apresentam as maiores taxas de crescimento são aqueles que fizeram reformas liberais que aliviaram o peso do Estado sobre suas populações, tais como reforma previdenciária, flexibilização de leis trabalhistas redução de gastos públicos e principalmente a privatização de empresas estatais. Tudo que a militância esquerdista não quer nem ouvir falar.
Na Bolívia, o presidente Evo Morales luta para reestatizar as riquezas minerais, algo que já foi feito nesse país por duas vezes, mas desfeito, por não ter atingido os efeitos desejados. Na Venezuela, o presidente Hugo Chávez, em vez de aproveitar o alto preço do petróleo para diversificar a economia daquele país e reduzir a sua dependência do chamado “ouro negro”, financia programas assistencialistas, apóia candidaturas esquerdistas no continente e repete velhos chavões contra o imperialismo norte-americano (naturalmente, só no discurso mesmo, pois os EUA são os maiores compradores do petróleo venezuelano). No Brasil, durante a campanha eleitoral, bastou Lula dizer que o candidato opositor Geraldo Alckmin iria privatizar a Petrossauro (perdão, Petrobrás!) a Caixa Econômica Federal e os Correios para que uma parcela significativa de votos do opositor migrasse para o candidato presidente. Alckmin foi covarde e não argumentou que a privatização de tais empresas só traria benefícios à população, tal como ocorreu com as privatizações feitas no governo FHC. Resultado, o tucano conseguiu a proeza de terminar o segundo turno das eleições com 2 milhões de votos a menos do que obteve no primeiro turno, com sete candidatos! Na Argentina, o governo de Néstor Kirchner está fabricando um crescimento econômico irresponsável, com aumento de gastos públicos e inflação. Já houve até congelamento de preços e campanhas para boicotar empresas e setores econômicos que aumentaram preços, reavivendo os tempos de Sarney aqui no Brasil.
Houve uma época em que a América Latina era o quintal dos Estados Unidos, e qualquer governante que se aventurasse a dar uma guinada à esquerda, era deposto com a participação direta ou indireta dos ianques. Hoje, eles não estão nem aí para gente. A turma de Morales, Chávez, Lula, Kirchner pode fazer e falar o que quiser, que os norte-americanos não darão a mínima. Os nossos brothers estão preocupados com inimigos mais ameaçadores, como o Irã, a Coréia do Norte e os fanáticos muçulmanos.
Tudo isto mostra que os latino-americanos não foram capazes de aprender com os próprios erros. Pode-se dizer que “errar é humano e persistir no erro é latino-americano”. Como as praticadas adotadas por estes governantes estão fadadas ao fracasso, só vai restar colocar a culpa nos bodes expiatórios de sempre: os EUA, as “zelites”, o FMI, o neoliberalismo. Pobre América Latina, até quando vamos continuar neste atraso?

terça-feira, novembro 28, 2006

Descubra sua orientação política

Deseja saber qual é a sua orientação política e tem algum domínio de inglês? Acesse o endereço http://www.politicalcompass.org/index
e faça o teste.
O aspecto mais notável deste teste é que o fator social também é levado em conta na obtenção do resultado, ao contrário da tradicional escala esquerda-direita que leva em conta somente o fator econômico.
Ao terminar de responder às questões do site, o resultado será exibido em uma escala bi-dimensional, onde um dos eixos corresponde à orientação social, e o outro à orientação econômica. Abaixo uma figura contendo os prováveis resultados de pessoas famosas:


segunda-feira, novembro 13, 2006

Não somos racistas

Aí vai uma sugestão de leitura:

Não somos racistas - Ali Kamel: Diretor de jornalismo da Rede Globo, Kamel demonstra nesta obra que criar cotas raciais é uma idéia absurda porque parte de uma premissa equivocada, a de que os brancos oprimem os negros, quando na verdade o maior problema é a pobreza (de fato, no decorrer do livro, o autor mostra que brancos pobres enfrentam as mesmas dificuldades de negros pobres, portanto é uma injustiça criar políticas sociais que só beneficiem uma parte da população desfavorecida).
A obra aponta também as conseqüências de colocar em prática tais políticas: a divisão do país em brancos e não-brancos, desconsiderando-se todo um histórico de miscigenação pela qual passou o povo brasileiro; e o fomento ao ódio racial, algo que nunca existiu na história brasileira.
No 1º capítulo, o autor mostra que a política de cotas raciais começou a ser elaborada durante o governo anterior, em sintonia com o que pensava, o então sociólogo Fernando Henrique Cardoso na década de 50. A obra também revela como dados estatísticos tem sido deliberadamente distorcidos para se criar uma falsa idéia de os negros estão em desvantagem porque a sociedade brasileira é racista, e refuta os argumentos dos defensores de tais políticas, seja através de dados científicos, que mostra que o conceito de raça, biologicamente, não existe, ou através da análise dos resultados de experiências semelhantes em outros países. Por fim, o autor conclui que somente investimentos maçicos em educação básica podem criar condições para cidadãos das classes desfavorecidas, sejam brancos, negros, pardos ou amarelos possam sair da pobreza.
Não deixem de ler este livro! Ele é fundamental para se compreender melhor os rumos que o País está tomando quanto à questão racial.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Cheque em branco

Caros leitores! Estou ressuscitando meu blog depois de quase dois meses parado. Estive muito ocupado durante este período, portanto não sobrava tempo para poder escrever meus artigos, mas agora estou de volta e prometo publicar um post por semana.

Bom, para marcar meu retorno, não poderia falar de outra coisa a não ser a reeleição de nosso querido presidente Lula! Depois de 4 anos com uma administração marcada por escândalos, eis que o povo brasileiro, numa demonstração de que não se importa nenhum pouco com a falta de ética na política, deu-lhe uma segunda chance, a qual considero um verdadeiro cheque em branco.

Durante os quatro anos de seu governo, tivemos várias demonstrações de autoritarismo por parte de seus integrantes, haja vista a tentativa de se criar órgãos como CFJ e ANCINAV, os quais dariam a possibilidade de um controle estatal da imprensa e dos meios de comunicação, passando por uma reforma universitária, que era, na verdade, uma expropriação de universidades particulares. Felizmente, tais arroubos autoritários foram contidos pelo presidente, que teve o bom senso de mandar tais projetos para a lata de lixo.

Temo que, com a reeleição do presidente, os burocratas petistas sintam-se livres para passar por cima das leis a fim de se perpetuarem no poder. Na semana passada, tivemos uma pequena amostra do que pode acontecer neste 2º mandato de Lula, num episódio em que alguns jornalistas da revista VEJA sofreram ameaças de agentes da Polícia Federal.

De toda forma o povo brasileiro assinou um cheque em branco ao reeleger Lula. Os mais pessimistas crêem que o presidente e seus asseclas irão finalmente colocar em prática seus projetos socialistas. Outros crêem na volta da inflação e na implosão da Previdência Social, devido às práticas populistas do governo. Um terceiro grupo acredita realmente, que Lula é um sujeito bem intencionado e está fazendo “tudo pelo social”. Para esses é normal aumentar impostos a fim de conceder algumas migalhas aos desfavorecidos sem exigir nenhuma contrapartida por parte destes e que em nada os ajuda a sair da pobreza. Também é normal para esse grupo de indivíduos, fazer caixa-dois e comprar apoio do Congresso, afinal todo mundo faz mesmo. Nada ilustra melhor essa filosofia do que a frase dita pelo ator Paulo Betti, que recebe generosas doações da Petrossauro e de outras estatais brasileiras. “Política é isso aí mesmo, é meter a mão na merda”. Cruzes!

O jeito é rezar para o cheque tenha um valor baixo!